domingo, 31 de julho de 2022

Problema de Pesquisa

PROBLEMA DE PESQUISA:

Temos uma cidade que nasce com uma centralidade, o Plano Piloto, com um elemento dito “aformoseador” – o Lago Paranoá, que vai formando uma bacia hidrográfica, que nasce com um discurso de planejamento e preservação ambiental a partir do conceito de "faixa sanitária" e de um "cinturão verde" relativo a um plano de abastecimento agrícola, que se mostra uma faixa de proteção da cidade central. Proteção do quê? de quem? Proteção da presença do “diferente”, das classes sociais indesejadas que passam a ter asseguradas a sua não permanência nos espaços da cidade central a não ser por formas irregulares de resistência.

A respeito da questão das "diferenças", José William Vesentini (1986) em seu livro "A Capital da Geopolítica" discorre sobre um plano urbanístico que propõe áreas de vizinhança nas superquadras, com a convivência de pessoas com "padrões" econômicos diversos. Mas admite que em áreas isoladas e específicas, na preocupação de administrar as diferenças, submetê-las ao planejamento, evitando espontaneísmos como favelas e invasões. Ou seja, o controle dos conflitos, da estratificação social para graus passíveis de serem harmonizadas. Escamoteia-se aí a luta de classes, restrita tão somente a "ricos" e "pobres", categorias que encobrem a divisão do social ao torná-la simples diversidade das condições de vida de cada pessoa. Ademais, pensava-se em Brasília como cidade de burocratas somente, como se isso fosse possível. Para Israel Pinheiro e Juscelino Kubitschek Brasília era uma cidade de burocratas. Ou seja, a Bacia Hidrográfica do Lago Paranoá como "locus" de uma pretensa proteção do Lago Paranoá e do Plano Piloto em termos sanitários e de abastecimento, porém que segue uma ocupação urbana por transformações não planejadas no espaço urbano. A segregação socioespacial constitui uma das tônicas da discussão sobre Brasília, porém o que se propõe aqui é discutir como a Bacia Hidrográfica do Lago Paranoá atuou na promoção dessa segregação.

Pelo texto de Diniz (2013) (DINIZ, Débora. Carta de uma Orientadora. Letras Livres. 2ª Edição. Brasília. 2013), no desafio de falar o problema com 15 palavras: Meu problema é investigar a Bacia Hidrográfica do Lago Paranoá na história de Brasília como "locus" de segregação socioespacial.

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